chegada dos portugueses no Brasil

Povos Americanos na era Pré-colombianauma síntese

A partir do século XIII, as fronteiras do conhecimento sobre a Terra e sobre o homem alargaram-se progressivamente. Esse processo começou com a expansão comercial dentro dos limites da Europa. Depois, os horizontes geográficos se ampliaram com a conquista de novos mares e novos continentes. Mundos e povos diferentes, e até então isolados uns dos outros, puderam assim encontrar-se e conhecer-se.

Há mais de uma teoria sobre o processo de povoamento das terras que os europeus alcançaram no final do século XV e que recebeu o nome de América. A hipótese mais aceita situa a ocupação do território americano entre 80 e 50 milênios atrás. Migrações sucessivas teriam sido possíveis graças ao fenômeno ocorrido na era glacial, de rebaixamento do nível do mar e de união da Sibéria ao Alasca pela camada de gelo que cobriu o estreito de Bering.

Os povos que ocuparam o continente americano eram bastante diversificados: estima-se que chegassem a 3 mil grupos, com línguas e dialetos próprios, originários de 133 famílias linguísticas. Entre as culturas que se estabeleceram no continente, destacaram-se por sua complexidade e sofisticação as dos maias, astecas e outras, nos territórios do México e América Central, e a cultura inca, nos territórios da Bolívia, Peru e norte do Chile.

O território brasileiro foi povoado há pelo menos 15 mil anos por grupos distintos, que falavam línguas diferentes, pertencentes aos troncos tupi e macro-jê, mas também às famílias aruaque, caribe, pano e tucano, entre outras. Estima-se que em 1500 esses povos somassem cerca de 5 milhões de pessoas.

A expansão europeia e as grandes navegações

A revolução comercial iniciada mais ou menos no século XI, na Europa, possibilitou mudanças no sistema feudal até então vigente. Com o desenvolvimento do comércio, foram surgindo também as cidades como fator importante para as atividades comerciais. Até então, a economia do antigo sistema feudal era a de subsistência. Foi a partir desse contexto que as trocas comerciais passaram a ser cada vez mais intensas, baseadas cada vez mais em uma economia monetária.

Progressivamente, com o surgimento e desenvolvimento do comércio, surge uma nova classe social – a burguesia comercial. Essa nova classe emergente é que vai juntamente com os reis participar do longo processo de centralização do poder político verificado na Europa ao longo de vários séculos, criando o que chamamos de Estado Moderno. Portugal, por exemplo, tornou-se o primeiro país a centralizar o poder na figura do rei, com isso dando impulso às atividades comerciais da burguesia mercantil local. Com a monopolização do comércio na região do Mediterrâneo pelos italianos, bem como pelo fechamento da rota para as “Índias” com a tomada de Constantinopla pelos Turcos otomanos, em 1453, foi necessário encontrar novos territórios para realizar comércio e novas rotas para manter o até então lucrativo comércio com o Oriente. A expansão marítima dos Europeus entre os séculos XV e XVI acabou sendo o resultado desses acontecimentos.

Entre as mercadorias que alimentavam o comércio europeu, estavam aquelas vindas do Oriente, como as especiarias, que, além do açúcar, incluíam condimentos e temperos que davam gosto à carne precariamente conservada no sal – cravo, canela, pimenta, noz-moscada, gengibre. Também do Oriente vinham artigos de luxo, tecidos, corantes e outros produtos que aos poucos foram sendo incorporados aos hábitos europeus de consumo, como o arroz, o damasco e o figo. Eram os mercadores de Gênova e Veneza que, devido à localização de que desfrutavam na costa do Mediterrâneo, exerciam o monopólio desse lucrativo comércio. Os muçulmanos, que dominavam a navegação mediterrânica , traziam as mercadorias do Oriente Próximo e das Índias, e os genoveses e venezianos as comercializavam no continente europeu.

Na virada do século XV para o XVI, a descoberta e a exploração de novas rotas marítimas vieram alterar esse quadro, dando um impulso extraordinário à expansão europeia e beneficiando sobretudo os centros financeiros e comerciais banhados pelo oceano Atlântico, que logo se tornariam o principal eixo da economia europeia. Pioneiros nessa expansão, Portugal e Espanha construiriam vastos impérios coloniais, abrangendo não somente áreas da África e do Oriente, como também da América. As viagens de Cristóvão Colombo, Américo Vespúcio, Vicente Pinzón e Pedro Álvares Cabral à América abririam enfim a possibilidade de intercâmbio entre mundos que até então se desconheciam.

A VIAGEM DE COLOMBO

caravelas navegando oceano Atlântico

Com três navios e cerca de 90 homens, Cristóvão Colombo partiu do porto de Palos, na Espanha, em agosto de 1492, com destino às Índias. A rota por ele traçada não era a mesma que vinha sendo seguida pelos navegadores portugueses: enquanto estes seguiam a rota oriental, contornando a África, Colombo preferiu rumar para o Ocidente, com base na ideia de que a terra era redonda.

A chegada, em 12 de outubro de 1492, a uma pequena ilha do mar do Caribe encheu os homens de surpresa diante de um mundo totalmente desconhecido. Logo, Colombo sentiu necessidade de escolher nomes para indicar tudo de novo que aparecia diante de seus olhos. Começou a nomear para entender e explicar, e para tomar posse também. Colombo chamou os nativos de “índios”, pois acreditava que logo atrás daquela ilha estava a terra dos seus sonhos. Mais tarde, percebeu-se que a ilha de Guanahani não tinha nada a ver com as Índias, mas o nome índios permaneceu para designar os habitantes do continente que alguns anos depois passaria a ser chamado de América.

A conquista de Colombo acirrou a concorrência entre as coroas portuguesa e espanhola. D. João II, rei de Portugal, chegou a cogitar de ir à guerra para garantir o direito de Portugal de controlar a navegação nos mares e as novas rotas de comércio. Para mediar a disputa e evitar a guerra, foi chamado o papa Alexandre VI. As negociações, muito delicadas, resultaram na assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494. Por ele, portugueses e espanhóis fizeram a partilha do mundo. No fundo, buscavam garantir sua supremacia na expansão marítima, preservando para si o controle das rotas marítimas e assegurando o “fechamento” dos mares a outros reinos.

EXPANSÃO PORTUGUESA

A expansão portuguesa teve início quando a nação se lançou no Atlântico em busca de comércio, isto no início do século XV, quando o reino de Portugal decide ocupar Ceuta, um importante centro de comercio mouro, localizado no norte do continente africano no ano de 1415. Ceuta era também um importante centro comercial de Marrocos. Tratava-se, portanto, de rotas transaarianas que traziam metais preciosos como o ouro e produtos orientais vindos do Egito e do Sudão, uma região da Ásia.

Dando continuidade à expansão no Atlântico, navegadores portugueses foram multiplicando as descobertas de novos territórios ao longo da costa do continente africano. Esses novos territórios eram os seguintes: Ilhas de Porto santo, Madeira, dos Açores e do Cabo verde. Em 1488, Bartolomeu Dias conseguiu ultrapassar o extremo sul da África, local denominado de Cabo das tormentas, contudo o rei mudou o nome para Cabo da Boa Esperança. Em 1498, Vasco da Gama seguindo a mesma rota de Bartolomeu Dias, passando pelo cabo da boa esperança, finalmente conseguindo chegar até as Índias.

Com o objetivo de consolidar sua posição nas Índias, onde chegaram em 1498 conduzidos por Vasco da Gama, os portugueses prepararam, em dois anos, a maior esquadra jamais vista em toda a Europa: 13 embarcações e 1.500 homens. A montagem dessa esquadra custou muito dinheiro à Coroa e aos investidores particulares, que queriam o retorno de seu capital com alta margem de lucro. Para tanto era preciso dar continuidade ao empreendimento de Vasco da Gama: voltar com as embarcações abarrotadas de produtos e deixar uma feitoria portuguesa em Calicute para garantir a continuidade das trocas comerciais.

Comandada por Pedro Álvares Cabral, a nova esquadra partiu de Lisboa no dia 9 de março de 1500. Sua tripulação era composta de pilotos experientes, além de geógrafos, cartógrafos, padres, funcionários da Coroa, comerciantes, marinheiros, soldados, todos à cata de aventuras e riquezas. Apesar dos riscos que toda viagem em alto-mar oferecia – uma das 13 embarcações desapareceu na altura das ilhas de Cabo Verde –, os navegadores portugueses conheciam bem a região por onde navegavam.

No dia 22 de abril de 1500, um mês e meio depois de a esquadra ter deixado Lisboa, avistou-se terra – era a região hoje chamada de Porto Seguro, no litoral da Bahia. Chegavam assim os portugueses a terras que já lhes pertenciam por força do Tratado de Tordesilhas. Ao monte alto, primeiro avistado, foi dado o nome de Pascoal, uma vez que se estava na semana da Páscoa; já a terra foi chamada inicialmente de Ilha de Vera Cruz e posteriormente de Terra de Santa Cruz. Só mais tarde recebeu o nome de Brasil, devido à existência de pau-brasil ao longo do litoral.

A viagem da esquadra de Cabral foi minuciosamente descrita em uma carta que o escrivão Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei D. Manuel.

Primeiros contatos – No território da América Portuguesa não havia nenhum grande império, como na América Espanhola. Os índios que habitavam o litoral, e que entraram em contato com Pedro Álvares Cabral e sua tripulação, pertenciam em sua grande maioria a grupos tupi-guaranis. Os grupos tupis viviam da caça, da pesca, da coleta de frutas e da agricultura.

A exploração do pau-brasil – Por ser já conhecida na Europa e ter em abundância no litoral brasileiro, o pau-brasil passou a ser a primeira riqueza que de fato os portugueses começaram a explorar. O pau-brasil era usado na fabricação de corantes por países europeus, apesar da comercialização da madeira não ser tão vantajosa. O governo português tratou o mais breve possível de fazer do comércio do pau-brasil uma exclusividade da coroa Lusitana. Essa exclusividade portuguesa estava no direito de somente esse produto ser explorado por pessoas autorizadas pela coroa através de concessões, e a primeira concessão foi dada a Fernão de Noronha em 1503. Em troca este comerciante tinha que construir uma fortaleza, também enviar ao Brasil até seis navios por ano.

Além do pau-brasil, os recém-chegados enviaram para a Europa diversos produtos agrícolas que provocaram uma profunda mudança nos hábitos de consumo dos europeus: o milho, a batata, o feijão, o tomate, o amendoim e o tabaco, apenas para citar os mais importantes. Foi enorme o impacto que a entrada desses produtos causou: além de introduzir diferentes gostos e sabores, eles deram origem a novos costumes – como o de fumar, por exemplo – que foram adotados pela população.

índios cortando pau brasil

O novo mundo – O intercâmbio entre povos e terras diferentes forçou a Europa a repensar a Terra como um todo e, por isso mesmo, a representá-la de maneira distinta da que era usada no passado. Nos novos mapas iam sendo registrados os lugares que as viagens marítimas iam desvendando: continentes, ilhas e mares eram redesenhados; montanhas, portos e rios, renomeados; penínsulas e cabos, recortados; distâncias, recalculadas. A cartografia ganhou importância, e o saber dos cartógrafos tornou-se fundamental para um mundo que se alargava de maneira extraordinária. Misturando elementos decorativos e simbólicos com conhecimentos cartográficos, os mapas que então começaram a ser produzidos são uma das mais importantes fontes históricas sobre a conquista e ampliação dos espaços geográficos do mundo.

As invasões estrangeiras – Durante as três primeiras décadas, desde o descobrimento do Brasil, não houve a efetiva ocupação do território, por isso ele acabou sendo alvo de invasões estrangeiras, especialmente dos franceses, que reconheciam a posse lusitana da região. E, nos primeiros anos da descoberta, era frequente a presença de franceses em busca também do pau-brasil. A reação do governo português foi tentar impedir tais invasões organizando expedições que pudessem inibir a presença desses invasores. Dentre essas expedições, estava a de Cristóvão Jaques em 1516, que fundou a feitoria de Itamaracá, atualmente Pernambuco. Essas ações perduraram por mais dez anos, perseguindo os franceses que vinham em busca do cobiçado pau-brasil.

Resumo

  1. Fatores desencadeadores da expansão
    marítima nos séculos XV e XVI
    • Busca de solução para as sucessivas crises ocorridas
    durante a Baixa Idade Média
    • Impulso às atividades comerciais em curso na Europa
    • Necessidade de alimentos, metais preciosos e mãode-
    obra; de uma nova rota comercial para o Ocidente; de
    constituir novos mercados fornecedores e consumidores.
  2. Fatores do pioneirismo português
    no expansionismo marítimo
    • Precoce centralização política
    • Ausência de conflitos internos e externos
    • Desenvolvimento de técnicas náuticas
    • Burguesia comercial ávida por lucros.
  3. Périplo africano
    • 1415 – Conquista de Ceuta (atual Marrocos)
    • 1492 – Chegada de Vasco da Gama às Índias
    • Construção de feitorias e exploração do comércio de
    escravos, ouro, marfim e madeira
    • Ausência de colonização
  4. Conflito luso-espanhol sobre o Atlântico
    • 1493 – Bula Intercoetera – linha 100 léguas a oeste de
    Cabo Verde
    • 1494 – Tratado de Tordesilhas – linha 370 léguas a
    oeste de Cabo Verde
    Esses tratados evidenciavam disputas sobre a posse das
    novas terras e águas descobertas.
  5. A chegada ao Brasil
    22 de abril de 1500 – Descobrimento do Brasil

Período pré-colonial:

  1. O pau-brasil
    • Exploração litorânea (mata Atlântica)
    • Estanco (monopólio da Coroa)
    • Mão-de-obra indígena
    • Escambo com os indígenas
    • Construção de feitorias ao longo do litoral
    • Atraiu a presença de contrabandistas franceses
  2. Expedições
    • Exploradoras – Exploração geográfica do território e
    procura de metais preciosos
    • Guarda-costas – Policiamento do litoral contra a presença
    de contrabandistas franceses de pau-brasil.