mapa mundial antigo

MAPAS E PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

A necessidade de se orientar na superfície do planeta levou os homens, ao longo da história, a elaborar vários tipos de mapas, desde as rústicas representações babilônicas até as mais modernas, feitas a partir de coleta de informações obtidas por sensoriamento remoto e processadas pela informática. Nele são usados signos convencionais, próprios da cartografia. Porém, por mais perfeito e detalhado que seja um mapa, ele sempre será uma representação da realidade, nunca a própria.

Diante da complexidade da realidade, algumas informações sempre são priorizadas em detrimento de outras. Seria impossível representar todos os fenômenos físicos, econômicos, humanos e políticos em um único mapa. Por isso, além dos mapas topográficos, há os mapas temáticos, nos quais se selecionam temas que interessam ao usuário, entre as infinitas possibilidades de representação.

Tipos de mapas

De acordo com a finalidade ou o tipo de usuário a que se destinam, os mapas ou cartas podem ser classificados em:
• Gerais: Quando se destinam ao público em geral, isto é, atendem a diversos tipos de usuários. Geralmente são mapas de pequena escala. Por exemplo: mapas de grandes regiões, de países, de continentes e mapas-múndi.
• Especiais: Quando se destinam a determinadas pessoas ou grupos (profissionais), isto é, são mapas mais específicos ou técnicos e geralmente de grande escala. Por exemplo: mapas políticos,
econômicos, científicos, cartas náuticas, aéreas e cadastrais.
• Temáticos: Quando se destinam ao estudo, análise e pesquisa de determinados temas como geologia, pedologia, demografia, etc.

Projeções cartográficas

Os sistemas de projeções cartográficas constituem formas de representação cartográfica que transformam as coordenadas geográficas, a partir de uma superfície esférica (elipsoidal), em coordenadas planas, mantendo correspondência entre elas.

É importante lembrar que uma projeção cartográfica nada mais é do que o resultado de um conjunto de operações que permite colocar no plano, fenômenos inscritos numa esfera ou, no caso da Terra, num geoide, que é a forma específica do nosso planeta. Esse tipo de projeção baseia-se no chamado conceito de superfície de projeção. Esta nada mais é que uma superfície teórica / fictícia posicionada junto ao modelo de superfície da Terra.

As projeções cartográficas, podem ser classificadas em três categorias principais, dependendo da figura geométrica empregada em sua construção: cilíndrica, cônica ou plana (azimutal).

Projeções cilíndricas: o cilindro de projeção é tangente ao Equador, a partir de onde as deformações aumentam em direção às altas latitudes. Nesta projeção os paralelos são linhas retas e os meridianos, linhas curvas. A área é proporcional à da esfera terrestre, tendo forma elíptica e achatamento dos pólos norte e sul. As zonas centrais apresentam grande exatidão, tanto em área como em configuração, mas as extremidades ainda apresentam algumas distorções.

Projeções cônicas: o cone de projeção é tangente às médias latitudes, a partir das quais as deformações aumentam, tanto em direção ao polo quanto ao Equador. Um cone imaginário em contato com a esfera é a base para a elaboração do mapa. Os meridianos formam uma rede de linhas retas convergentes nos pólos e os paralelos formam círculos concêntricos. Essa projeção é utilizada para representar partes da superfície terrestre, como o trecho de um continente.

Projeções azimutais: o plano de projeção é tangente às altas latitudes (um dos polos), a partir das quais as deformações aumentam em direção às menores latitudes. O mapa numa projeção azimutal é construído sobre um plano tangente a um ponto qualquer da esfera terrestre. Este ponto ocupa sempre o centro do mapa. A projeção azimutal é usada, em geral, para representar as regiões polares e suas proximidades e para localizar um país na posição central, tornando possível o cálculo de sua distância em relação a qualquer ponto da superfície terrestre.

Os diversos tipos de projeções existentes procuram manter um dos três fundamentos básicos da cartografia: a distância, a forma e os ângulos. Para isso, podem ser classificadas em:

Equivalentes – têm a propriedade de não alterarem as áreas, conservando, assim, uma relação constante com as suas correspondentes na superfície da Terra. Seja qual for a porção representada num mapa, ela conserva a mesma relação com a área de todo o mapa.

Equidistantes – as que não apresentam deformações lineares para algumas linhas em especial, isto é, os comprimentos são representados em escala uniforme.

Conformes – representam, sem deformação, todos os ângulos em torno de quaisquer pontos, e, decorrentes dessa propriedade, não deformam pequenas regiões.

Afiláticas – não possuem nenhuma das propriedades dos outros tipos, isto é, equivalência, conformidade e equidistância, ou seja, são as projeções em que as áreas, os ângulos e os comprimentos não são conservados.

Projeções mais importantes

Projeção de Mercator

É uma projeção cilíndrica conforme, elaborada no século XVI, para os navegadores, pelo cartógrafo e matemático holandês Gerhard Kremer durante o período das grandes navegações europeias, priorizando a localização dos continentes.

Esta representação é obtida com a projeção da superfície terrestre, com os paralelos e os meridianos, sobre um cilindro em que o mapa será desenhado. Ao ser desenrolado, apresentará sobre uma superfície plana todas as informações que para ele foram transferidas.

mapa mundi com projeção mercator
Projeção de mercator

Projeção de Mollweide

É um tipo de representação cartográfica elaborada em 1805 pelo cartógrafo alemão Karl Mollweide, e foi criada para corrigir as diversas distorções da projeção de Mercator. Nesta projeção os paralelos são linhas retas e os meridianos, linhas curvas. A área é proporcional à da esfera terrestre, tendo forma elíptica e achatamento dos pólos norte e sul. As zonas centrais apresentam grande exatidão, tanto em área como em configuração, mas as extremidades ainda apresentam algumas distorções. Na maioria dos Atlas atuais os mapas-múndi seguem a projeção de Mollweide.

projeção cartográfica

Projeção de Peters

A projeção de Peters é cilíndrica e tangente ao Equador, parecida com a de Mercator, mas com a diferença fundamental de representar, o mais próximo possível da realidade, a proporção de tamanho entre os continentes sem se preocupar com a equivalência das distâncias.

Na projeção de Peters (ou “Projeção Equivalente de Peters”) os meridianos estão separados em intervalos crescentes desde os polos até o Equador e, por isso, os continentes situados entre os meridianos 60º norte e sul apresentam uma deformação (alongamento) no sentido norte-sul, sendo que os continentes que se situam em uma latitude elevada (Groenlândia, Canadá, etc.) apresentam um achatamento no sentido norte-sul e um alongamento proposital (para haver correspondência em tamanho) no sentido leste-oeste.

Projeção de Goode

Essa é uma projeção descontínua, pois tenta eliminar várias áreas oceânicas. Goode coloca os meridianos centrais da projeção correspondendo aos meridianos quase centrais dos continentes, para lograr maior exatidão.

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